Há uma frase que diz que as opiniões são como a bunda: toda gente tem uma. Talvez seja exagero dizer que toda gente que corre tem um objetivo... mas é a minha opinião, e para mim isso não parece tão forçado assim.
Se corres com um objetivo, ótimo. Se corres sem um, então o teu objetivo é justamente não ter um - e tudo bem também.
Buscando uma definição simples de objetivo (meta), encontrei a seguinte definição na literatura: «aquilo que um indivíduo tenta alcançar; é o objeto ou fim de uma ação» (Locke, Shaw, Saari, & Latham, 1981, p. 126), bem como «alcançar um nível específico de domínio, normalmente dentro de um prazo específico» (Locke & Latham, 2002, p. 705).
No meu caso, desde que calcei um tênis em abril de 2019, o objetivo tem sido baixar de 1h24 na meia maratona.
A ciência diz, e eu não estou inventando — não é só “achismo”. Definir objetivos é um dos motores mais poderosos do desenvolvimento pessoal. Objetivos difíceis levam a um desempenho maior do que objetivos fáceis, a ausência de objetivos ou até objetivos abstratos do tipo “faça o seu melhor” (Latham, 2009).
Meu melhor tempo na meia maratona era 1h40, então para mim 1h24 já era muito ambicioso. Eu poderia ter mirado mais alto? Duvido. Mas a maior lição que a corrida me trouxe não é o tempo que alcanças: o verdadeiro desafio não é começar a correr, é continuar correndo com o passar dos dias, dos meses e dos anos.
E não sou só eu que digo isso: a constância é a maior barreira para a maioria dos corredores (Franken, Bekhuis & Tolsma, 2022).
No meu caso, a motivação intrínseca foi essencial: eu queria correr rápido, sentir-me forte e sentir-me bem no meu corpo. A Teoria da Autodeterminação (Ryan & Deci, 2000; 2017) explica que, quando corremos por razões internas — prazer, crescimento pessoal ou bem-estar — temos mais chances de manter o hábito no longo prazo.
Quando não há metas claras, essa motivação intrínseca se dilui; perdemos a conexão com nossos valores e com o “porquê” de corrermos. A literatura confirma: a falta de objetivos claros é uma das principais barreiras, junto com baixa autoestima, medo ou falta de apoio social (Collazo-Castiñeira et al., 2025).
O curioso é que minhas maiores quedas de motivação vieram justamente depois de alcançar um objetivo. E eu não sou o único: muitos corredores comentam a mesma coisa.
Este ano, parei o cronómetro em Getafe em 1h24'48". Poderia dizer: objetivo alcançado. E, no entanto, por algumas semanas senti-me desmotivado... até definir o próximo desafio: Valência, no fim do ano, tentando tirar segundos – talvez minutos – ao meu melhor tempo.
É aí que o Buddy Pacer pode dar-te uma ajuda. Nem todos os dias temos claro a que queremos chegar, e tudo bem. Mas ter um objetivo de treino diário, mesmo que pequeno, ajuda a manter a motivação.
Se já tens um objetivo, compartilha. Se não tiveres, junta-te ao de outro runner que combine com o teu horário, ritmo e localização. Às vezes, o melhor objetivo é simplesmente não correr sozinho.